Uma análise pessoal sobre o boom das bikes na pandemia, a explosão das e-bikes, e o que realmente mudou na cabeça (e nas ruas) do brasileiro.
27 de julho de 2026
Pedalar É Modinha ou Veio pra Ficar? O Que os Números Dizem Sobre o Ciclismo no Brasil
Eu me lembro bem de 2020. O mundo parou, os comércios fecharam, e a bike virou a válvula de escape de um país que precisava respirar. Não foi só no Brasil — foi no mundo inteiro. Mas aqui, a gente sentiu isso de um jeito especial. Enquanto as academias fechavam, o transporte público virava risco e o home office se instalava, a bicicleta apareceu como solução: transporte, exercício, lazer, liberdade. As vendas dispararam 118% em plena pandemia, segundo a Aliança Bike. Estoques sumiram. Oficinas não davam conta. O Brasil descobriu (ou redescobriu) o pedal.
A pergunta que ficou foi: quando a pandemia passar, a bike vai virar enfeite na garagem ou veio pra ficar? Pois bem. Estamos em 2026. Já se passaram mais de cinco anos daquele estouro todo. E eu posso dizer, com convicção e os números na mão: o ciclismo veio pra ficar, sim. E vou te mostrar por quê.
1. O Que Aconteceu Depois Que a Poeira Baixou
É verdade que o mercado deu uma desacelerada depois do pico. A Folha de S.Paulo publicou em 2024 que o mercado encolheu após o boom da pandemia. Era esperado. Ninguém sustenta 118% de crescimento anual para sempre. Mas a história não terminou ali. Segundo a Abraciclo, a produção de bicicletas no Polo Industrial de Manaus fechou 2025 com 335.560 unidades — um crescimento de 4,9% acima do esperado. E a projeção para 2026 é de mais 4,3% de alta.
O Brasil hoje é o 4º maior produtor de bicicletas do mundo, com 475 fabricantes e mais de 3,2 mil pontos de venda espalhados pelo país. A produção acumulada desde 1990 já passou de 27 milhões de unidades. Sinceramente, esses números não são de um mercado que "deu certo só na pandemia". São números de um setor que se consolidou.
2. As Pessoas Realmente Pedalam?
Essa é a pergunta que todo mundo faz. E a resposta, segundo a Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista 2024 (Transporte Ativo), é um sonoro SIM:
- Mais de 70% dos ciclistas brasileiros usam a bicicleta 5 ou mais vezes por semana;
- A média de uso é de 3 vezes por semana;
- 8% dos entrevistados pedalam diariamente;
- 75% das pessoas veem bicicletas circulando todos os dias em suas cidades.
Outro estudo, publicado pelo Correio Braziliense em 2025, revelou que 7 em cada 10 brasileiros pedalam semanalmente. São números que impressionam e mostram que a bike saiu do armário — e não vai voltar tão cedo.
3. Transporte, Lazer ou Saúde?
A grande virada de chave está aqui: a bicicleta deixou de ser vista apenas como "brinquedo de criança" ou "coisa de ciclista de final de semana". Hoje, ela cumpre múltiplos papéis:
Transporte: Com o preço dos combustíveis nas alturas e o transporte público cada vez mais lotado, a bike virou alternativa real de deslocamento urbano. As capitais brasileiras ganharam mais de 4 mil quilômetros de ciclovias entre julho de 2023 e julho de 2024 (crescimento de 7,3%). Isso não é obra do acaso: é política pública acompanhando demanda.
Saúde e bem-estar: A pandemia trouxe uma consciência maior sobre saúde física e mental. E a bike é um dos melhores exercícios que existem: baixo impacto, ao ar livre, possível de fazer sozinho ou em grupo.
Lazer e entretenimento: O ciclismo como hobby explodiu. Grupos de pedal, eventos, competições amadoras. O MTB, o gravel, o cicloturismo — cada modalidade tem sua tribo, e todas crescem.
4. O Fenômeno das E-bikes
Se tem um segmento que está voando, é o das bicicletas elétricas. Os números são impressionantes:
- Em 2024, o Brasil recebeu 212 mil novas unidades entre e-bikes e autopropelidos (Aliança Bike);
- As e-bikes (pedal assistido) cresceram 7,2% em 2024, totalizando 53.591 unidades;
- A produção de e-bikes entre as associadas da Abraciclo cresceu 144% em 2025, com 46,9 mil unidades;
- A frota brasileira de e-bikes já ultrapassou 300 mil unidades;
- O mercado movimenta cerca de R$ 511 milhões por ano.
As **E-MTB** (mountain bikes elétricas) já representam 50% da produção de e-bikes no Brasil, superando as urbanas. Isso mostra que as e-bikes não estão roubando espaço das bikes convencionais. Elas estão trazendo novas pessoas para o ciclismo. Gente que não pedalava por limitação física ou distância encontrou na assistência elétrica a porta de entrada.
5. E as Lojas de Bike?
Vou ser sincero: nem tudo são flores. O mercado de bicicletas passou por um ajuste depois da euforia da pandemia. Muitas lojas que abriram na onda do crescimento precisaram se reinventar. O que a gente vê hoje é um mercado mais maduro. Quem sobreviveu a esse ajuste são as lojas que entenderam que o cliente mudou. O consumidor de hoje não quer só "comprar uma bike" — ele quer informação, quer curadoria, quer saber qual peça combina com qual, quer montar a própria máquina.
E é aí que a EcomBike entra. A gente enxergou esse movimento cedo e se preparou para ele. Hoje somos referência em venda de componentes, peças e bikes completas porque entendemos que o ciclista brasileiro não é mais iniciante — ele é um entusiasta que busca qualidade e conhecimento.
6. Veio pra Ficar
Depois de olhar todos esses números, conversar com fornecedores, acompanhar o mercado e, principalmente, viver o ciclismo todos os dias na EcomBike, minha conclusão é clara: pedalar não é modinha. Nunca foi. O que aconteceu em 2020 não foi uma bolha — foi uma aceleração de algo que já estava acontecendo. As pessoas redescobriram a bike e perceberam que ela se encaixa na vida real: no orçamento, na rotina, na saúde.
A bike veio pra ficar. E a EcomBike veio junto, pra ajudar você a pedalar mais e melhor.
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Este artigo foi escrito por João Rodrigo, sócio e co-fundador da EcomBike. Curioso e apaixonado pelo "faça você mesmo", passo os dias pensando em como tornar o ciclismo mais acessível para quem, como eu, não consegue ficar parado. Vive do ciclismo e pelo ciclismo.
